A concepção vigente que limita áreas de atuação científica a disciplinas específicas proporcionou avanços consideráveis em vários ramos da ciência. Como exemplos, pode-se citar a fisiologia, encarregada de estudar o funcionamento de um corpo, seja animal ou vegetal; e a física de partículas, responsável pela formação dos principais elementos da matéria, da radiação e suas aplicações. No entanto, essa abordagem baseada na construção de um todo formado através da análise da soma das partes tem sido, cada vez mais, desafiada por problemas levantados nas mais diferentes áreas do conhecimento humano.
O reconhecimento da novidade que emerge quando da interação de várias sub-unidades simples permeia a cultura ocidental há muito. Sistemas que envolvem a emergência, seleção e evolução de padrões auto-organizados; a presença de diferentes níveis hierárquicos, entre outros, são genericamente tratados como complexos. Em outros contextos, o termo complexo se encontra associado a ideias como aquela que abrange muitos elementos ou partes; ou ainda, que pode ser considerado sob vários pontos de vista, algo complicado; mas para o Grupo de Trabalho em Sistemas Complexos é o conjunto de coisas, fatos ou circunstâncias conectados que entre si, ou simplesmente “o que é tecido junto”, segundo Edgar Morin.
Incorporar esse conceito de complexidade pressupõe uma mudança de diálogo com a natureza, mudança de foco de estruturas, quantidade e reducionismo para padrões, qualidade e visão sistêmica.
A partir de agora, este espaço se dedicará aos sistemas complexos, nas suas múltiplas facetas. Serão apresentadas matérias, entrevistas, sugestões de leitura, resenhas de livro, anúncios de conferências entre outros.
Comentários e sugestões são muito bem-vindos.
Hamilton Varela
Grupo de Trabalho em Sistemas Complexos
Instituto de Estudos Avançados – USP
complex@iqsc.usp.br